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  • Info Serrinha e Região

Trabalhadores viveram "cenário de tortura", relata secretária de Assistência Social de Serrinha

Secretaria recebeu e acolheu os trabalhadores que estavam vivendo e trabalhando em situação análoga à escravidão.


A pouca oferta de empregos na região, as promessas de salários elevados e melhores condições de vida em outro estado foram os principais motivos que levaram centenas de trabalhadores baianos a aceitarem a proposta feita por um empresário de 45 anos natural de Valente a viajarem para o Rio Grande do Sul onde acabaram passando por situações humilhantes e de desumanidade.


Durante o período que estiveram vivendo e trabalhando em situação análoga à escravidão os trabalhadores sofreram com maus tratos, isolamento e a incerteza se um dia retornariam para casa.


Em entrevista ao Info Serrinha a secretária de Desenvolvimento Social de Serrinha, Liz Oliveira, comentou sobre essa busca por uma colocação no mercado de trabalho, porém os trabalhadores não contavam que estavam sendo enviadas para um local onde seriam humilhados e expostos a situações desumanas. "As pessoas hoje passam por um cenário de vulnerabilidade social alto, os índices de desemprego também, e quando surgiu a oportunidade de trabalho aparentemente atrativa, com uma remuneração considerável, carteira assinada, muitos optaram por ir, mas nunca iam imaginar passar por esse cenário de tortura, houve isolamento, tratamento de choque, muitas coisas foram relatadas. Muitos chegaram em situação de abalo psicológico, desnutrição, desidratação, com fome, passando mal".



A secretária comentou sobre o que será feito a partir desse primeiro contato com os trabalhadores. "Por conta da grande quantidade de pessoas, neste primeiro momento foi feita uma triagem, pegamos as informações, contatos e a partir de agora começam as visitas domiciliares através dos CRAS para que a gente possa acompanhar essas famílias, ver quais as necessidades, ver quais delas já têm os benefícios sociais, iremos passar por um treinamento do Estado para esse pós-resgate, como devemos proceder, quais as orientações que essas pessoas devem receber como indenização, seguro, então vamos seguir com esse monitoramento".


Liz Oliveira lamentou a situação e afirmou que é preciso que os órgãos de segurança se unam para coibir essas ações. "Foi de fato chocante. Quando tomamos ciência que Serrinha iria receber essas pessoas ainda não tínhamos a dimensão do que a gente estava para receber, e é muito triste de ver e de ouvir. Muitas pessoas chegaram abaladas, tinha um senhor mesmo que mal conseguia falar de tanto chorar, então é triste ver que isso ainda acontece. Precisa de uma junção de esforços dos órgãos de segurança, Ministério Público, Ministério Público do Trabalho, Prefeitura para que a gente consiga identificar e combater essas ações".


Os trabalhadores resgatados que têm residência na região do sisal foram recebidos por profissionais da Secretaria de Desenvolvimento Social de Serrinha onde foram medicados, e receberam atendimentos nutricionais e psicológicos.


De acordo com a Polícia Rodoviária Federal o empresário responsável pela empresa que mantinha os trabalhadores nas condições encontradas foi preso, encaminhado para a sede da Polícia Federal da cidade de Caxias do Sul, e depois transferido para um presídio em Bento Gonçalves, porém pagou fiança de R$ 40 mil e irá responder pelo crime em liberdade.




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