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  • Info Serrinha e Região

Artigo: Uma nota sobre os desastres socioambientais

Especialista em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente trata sobre a abordagem da mídia nos assuntos voltados ao Meio Ambiente.


As crônicas urbanas brasileiras são uma repetição constante de desastres sociais, ambientais e políticos e, não raro, os problemas são persistentes porque, em uma análise superficial, nunca são eficientemente resolvidos e os motivos para tal ocorrência são: falta de interesse sociopolítico, egoísmo de classe e ignorância doentia.


E assim, cidades das mais diferentes regiões brasileiras apresentam cenários deprimentes em que a população, a maioria e, não sem surpresa, as parcelas pobres e trabalhadoras, arca com as consequências nefastas. E não se pode continuar culpando os políticos em frases clichês. É preciso um pouco mais de ação e de reflexão, por mais dolorosa que possa ser ou parecer.


No outono do hemisfério sul, que coincide com o início do período do Sol na casa de Áries e no período pós-carnaval, é natural que se espere temperaturas um pouco mais baixas e chuvas que prenunciam o inverno que se aproxima. Tão natural quanto as previsões astrológicas desse período são as ruas sem calçamento que alagam e uma mistura de lama, lixo e frustração que passa a ser rotina de quem precisa ir ao trabalho a pé ou esperar um transporte, precário ou não; são as ruas alagadas que invadem casas, automóveis e a dignidade das pessoas que lutam tanto por um móvel ou um eletrodoméstico duramente adquirido sob a égide de uma taxa de juros escandalosa; são os resíduos urbanos que saem flutuando em simulações de rios rueiros que servem para o pobre, nunca para a pseudo rico.


Os jornais escolhem quais desastres ambientais e sociais são mais rentáveis - enchentes na região amazônicas são desconsideradas, secas na região nordeste não são novidades a menos que sirvam para a apropriação de terras e mão de obra barata e falta de alimentos saudáveis para as mais diversas comunidades não são interessantes aos donos do capital. Assim, todos os dias, independente de quais sejam as manchetes, uma miríade de indivíduos cumpre o roteiro pré-determinado sem se dar conta que possuem o poder de modificar a própria rua, de forma significativa, de forma individual e coletivamente.


O meio ambiente, também, é a rua, a cidade, a escola, a praça. Ele é a qualidade de vida no meio urbano e não pode mais ser desprezado como se apenas as distantes geleiras fossem significativas. O hoje exige que tenhamos a responsabilidade não apenas sobre o voto depositado nas urnas ou no papel passivo da reclamação da rua alagada e da péssima gestão dos recursos naturais que se costuma ouvir em programas de radiodifusão.


O meio ambiente é você. E há pressa em que tenhamos a dignidade de ter qualidade de vida, um lugar seguro para refúgio e a longevidade saudável que classes mais abastadas sempre possuíram.


Por que esperar mais para mudar?


Rafael Rodrigo Ferreira de Lima

Especialista em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente

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